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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

datação debatida

Fim da administração romana na Britânia

Sem tropas nem administração central, as comunidades britânicas foram orientadas a prover a própria defesa, encerrando quase quatro séculos de presença romana na ilha.

Acontecimento 122 de 144 85 % do percurso

Sobre a data: A famosa resposta imperial dizendo às cidades britânicas que cuidassem da própria defesa é conhecida por um trecho de leitura discutida em Zósimo. O processo de retirada foi gradual e não teve um marco legal único.

Contexto histórico

As guarnições britânicas haviam sido transferidas para o continente em sucessivas crises, e a última grande retirada acompanhou uma usurpação militar. Sem exército, sem pagamento de tropas e sem moeda nova em circulação, a economia monetizada da província entrou em colapso rápido. Vilas rurais foram abandonadas, cidades encolheram e a organização política fragmentou-se em poderes locais. É o caso mais bem documentado de desaparecimento completo da estrutura romana em uma província.

Como se desenrolou

A retirada de tropas da Britânia foi um processo escalonado. Já em 383, o usurpador Magno Máximo levara forças da ilha para a Gália, e Estilicão teria retirado outras unidades na virada do século. Em 407, o exército local aclamou Constantino III, que passou à Gália com o que restava de efetivos móveis. As incursões de saxões, pictos e escotos continuaram, e os britânicos romanizados ficaram sem o contingente profissional e sem a cadeia de pagamentos. A última remessa significativa de moeda de bronze e prata que chegou ao território data de cerca de 407, e as emissões de ouro deixam de aparecer pouco depois.

Zósimo narra que, em 409, os habitantes da ilha rejeitaram a autoridade dos funcionários de Constantino, organizaram sua própria defesa e expulsaram os magistrados romanos, imitando o que também ocorreu em partes da Armórica. Segundo o mesmo autor, Honório respondeu com um rescrito dirigido às cidades, ordenando que cuidassem de si mesmas. A passagem é obscura, e há quem a associe não à Britânia, mas ao Brutium, no sul da Itália, por uma possível confusão de nomes. Seja como for, o governo imperial não voltou a enviar um exército regular, embora a ilha ainda aparecesse em listas administrativas.

As evidências materiais mostram um declínio rápido. A produção em massa de cerâmica cessou por volta de 410 a 420, a circulação monetária praticamente desapareceu, e muitas vilas deixaram de ser reformadas. Em 429, o bispo Germano de Auxerre visitou a ilha, segundo a biografia escrita por Constâncio de Lyon, e participou de debates contra o pelagianismo e de uma vitória militar local, o que indica que ainda havia uma elite cristã organizada. A Crônica Gálica de 452 afirma que, em 441 ou 442, a Britânia passou ao domínio dos saxões, formulação que sintetiza mudanças mais lentas.

O que levou a isso

  • Transferência sucessiva de tropas da ilha para conflitos continentais
  • Incapacidade do governo ocidental de sustentar províncias periféricas
  • Interrupção do fluxo de moeda e de pagamento militar

O que veio depois

  • Colapso da economia monetizada e da vida urbana romana na ilha
  • Fragmentação política em poderes locais
  • Transformações culturais profundas nos séculos seguintes

Importância histórica

Demonstra como a retirada da estrutura estatal romana podia desmontar em poucas décadas séculos de organização provincial.

O que dizem as fontes

O período é um dos mais mal documentados do Ocidente. Gildas, no século VI, escreve um sermão moral, não uma crônica; Beda, no século VIII, segue-o e acrescenta datas incertas. As fontes continentais, como Zósimo e a Crônica Gálica, são breves e discutidas. A numismática é a evidência mais sólida para o fim do suprimento monetário, mas a leitura do colapso econômico encontra resistência: alguns arqueólogos, como Ken Dark, defendem continuidades locais. A questão de quando exatamente a ilha deixou de ser romana, se em 410 ou em data posterior, é em parte uma decisão de definição. Também permanece aberto o debate sobre a escala e o ritmo da chegada dos povos germânicos.

Figuras envolvidas

  • Honório — o imperador do saque de 410

Fontes consultadas

  1. Zósimo, História Nova, livro VI Fonte antiga
  2. Coleção da Britânia romana The British Museum

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