Contexto histórico
Bruto e Cássio haviam reunido exércitos e recursos consideráveis nas províncias orientais. As duas batalhas travadas em Filipos terminaram com a vitória dos triúnviros, com papel militar destacado de Marco Antônio. Com a derrota, desapareceu qualquer projeto viável de restauração do governo senatorial. A partir daí, a disputa deixou de ser entre República e poder pessoal e passou a ser entre dois candidatos ao poder pessoal.
Como se desenrolou
Bruto e Cássio, nos anos de 43 e 42 a.C., controlaram Macedônia, Síria e outras províncias orientais, arrecadaram dinheiro e formaram um grande exército. Segundo Apiano, os republicanos tinham 17 legiões e os triúnviros, 19. Cruzaram o Helesponto e se postaram junto a Filipos, na Via Egnatia, em duas posições fortificadas nas colinas, com acesso ao mar e ao porto de Neápolis, onde ficava sua frota. Antônio chegou primeiro, e Otaviano, doente, chegou depois. Antônio construiu uma passagem pelos pântanos, ameaçando cortar os suprimentos de Cássio, o que o forçou a aceitar o combate antes do desejado.
A primeira batalha, em outubro de 42 a.C., teve resultados opostos nas duas alas. Bruto, à direita, atacou e tomou o acampamento de Otaviano, que, segundo Plutarco, estava ausente, supostamente por aviso de um sonho de seu médico. Antônio, por sua vez, rompeu a ala de Cássio e capturou o acampamento. Cássio, supondo tudo perdido, ordenou ao liberto Píndaro que o matasse. No mesmo dia, no Adriático, a frota republicana de Domício Aenobarbo e Staio Múrco destruiu os reforços dos triúnviros, segundo Apiano, o que fez falta de suprimentos pesar sobre os vencedores aparentes.
Bruto assumiu o comando dos dois exércitos, com moral abalada, e foi pressionado por soldados e aliados orientais que desejavam combater, enquanto os triúnviros sofriam com a falta de comida. A segunda batalha ocorreu cerca de vinte dias depois e terminou com a derrota completa das forças republicanas. Bruto fugiu para as colinas e, sem saída, suicidou-se com a espada, auxiliado por Estratão, segundo Plutarco. Antônio cobriu o corpo com seu manto de púrpura. Os vencedores dispensaram veteranos e assentaram colonos em Filipos, que se tornou colônia romana, depois ampliada por Augusto.
O que levou a isso
- Reorganização militar dos conspiradores nas províncias orientais
- Necessidade dos triúnviros de eliminar a oposição armada
- Concentração de recursos e legiões de ambos os lados
O que veio depois
- Morte de Bruto e Cássio e fim da resistência republicana organizada
- Divisão do mundo romano entre Otaviano no ocidente e Antônio no oriente
- Assentamento maciço de veteranos na Itália, com confiscos de terras
Importância histórica
Encerra a disputa sobre a forma de governo e transforma o conflito seguinte em uma questão de quem, e não de qual regime.
O que dizem as fontes
Apiano e Plutarco são as bases do relato, apoiados em autores perdidos; Plutarco cita Messala Corvino, que lutou ao lado de Bruto e depois mudou de lado. As fontes tendem a realçar a coragem de Antônio e a ausência de Otaviano, o que pode refletir propaganda antoniana ou a posterior rivalidade entre os dois. Os números de legiões e baixas são incertos e variam conforme o autor. A numismática documenta o esforço financeiro dos republicanos, com moedas cunhadas no Oriente para pagar soldados, entre elas o denário de Bruto com a legenda EID MAR. As escavações em Filipos revelam a cidade romana e a Via Egnatia, mas o campo de batalha em si é conhecido apenas de forma aproximada.
Figuras envolvidas
- Marco Antônio — o triúnviro do Oriente
- Augusto — o fundador do principado
- Otaviano
- Marco Júnio Bruto
- Caio Cássio Longino
Fontes consultadas
- Apiano, Guerras Civis, livro IV Fonte antiga
- Plutarco, Vidas Paralelas: Bruto Fonte antiga
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