Contexto histórico
A pirataria havia se tornado uma ameaça ao abastecimento de grãos de Roma. A lei que deu a Pompeu comando sobre o mar e as costas por três anos foi aprovada apesar da oposição senatorial, e a campanha durou poucos meses. Em seguida, outra lei transferiu-lhe o comando da guerra contra Mitrídates. Pompeu anexou a Síria, criou províncias, confirmou reis clientes e retornou com riqueza imensa. Sua decisão de dispensar o exército ao voltar mostrou respeito às formas republicanas, mas o Senado recusou ratificar seus atos, empurrando-o para a aliança com César.
Como se desenrolou
Em 67 a.C., o tribuno Aulo Gabínio apresentou uma lei criando comando extraordinário contra os piratas, que atacavam navios e cidades costeiras e haviam chegado a capturar magistrados romanos e a interferir no porto de Óstia. O comando, por três anos, conferia imperium superior ao de todos os governadores sobre o mar Mediterrâneo e as terras até cinquenta milhas da costa. Plutarco fala em quinhentos navios, cento e vinte mil soldados e cinco mil cavaleiros, além de vinte e quatro legados, com recursos amplos do tesouro. O Senado e a maior parte dos magistrados se opunham, e dois tribunos tentaram vetar a lei. Gabínio ameaçou depor um deles, e a oposição cedeu, ecoando o precedente de Tibério.
Pompeu dividiu o Mediterrâneo em treze áreas, cada uma sob um legado, e varreu o mar do oeste para o leste, com limpeza sistemática de bases. Perseguiu os piratas até a Cilícia, onde, após uma batalha naval em Coracésio, aceitou rendições e os fixou em cidades do interior, entre elas Sóli, rebatizada Pompeiópolis. Plutarco fala em 49 dias de campanha, outras fontes mencionam três meses. Os preços dos grãos em Roma caíram assim que o comando foi dado, antes dos resultados, e isso reforçou a ideia de que o problema era a falta de um comando unificado. A pirataria, porém, não desapareceu para sempre.
Em 66 a.C., o tribuno Caio Manílio propôs a transferência da guerra contra Mitrídates e Tigranes de Lúculo para Pompeu, apoiada por Cícero no discurso Sobre o comando de Cneu Pompeu. Aprovada, deu-lhe poder de declarar guerra e fazer tratados. Pompeu venceu o rei, avançou pela Armênia e anexou a Síria; em 63 a.C. interveio em Jerusalém na disputa entre Hircano II e Aristóbulo II. Ao voltar, em 62, desembarcou em Brundísio e, para surpresa de muitos, dispensou as tropas. Seu triunfo, de dois dias, foi celebrado em setembro de 61. Catão, Lúculo e Crasso, porém, bloquearam no Senado a ratificação de seus acordos e a distribuição de terras aos veteranos.
O que levou a isso
- Ameaça da pirataria ao abastecimento de Roma
- Ineficácia dos comandos anuais em conflitos de longa duração
- Uso das assembleias populares para contornar a resistência do Senado
O que veio depois
- Eliminação rápida da pirataria organizada no Mediterrâneo
- Criação de novas províncias e reorganização política do Oriente
- Recusa senatorial em ratificar os atos de Pompeu, que o aproximou de César
Importância histórica
Estabelece o comando militar extraordinário e prolongado como caminho legal para o poder pessoal, modelo direto do principado.
O que dizem as fontes
As fontes principais são Plutarco (Vida de Pompeu), Apiano (Mitridática), Díon Cássio (livros 36-37) e o discurso De imperio Cn. Pompei, de Cícero, uma peça de persuasão política. Os números de navios, soldados e a duração da campanha contra os piratas variam e provavelmente refletem a propaganda de Pompeu. Alguns historiadores modernos, como Philip de Souza, estudaram a pirataria e mostram que ela era um problema real, mas talvez menos catastrófico do que as fontes dizem. A reorganização oriental é conhecida em linhas gerais; os detalhes de cada acordo e das fronteiras são pouco documentados e discutidos.
Figuras envolvidas
- Pompeu, o Grande — o comandante dos poderes extraordinários
- Pompeu
Fontes consultadas
- Cícero, Sobre o comando de Cneu Pompeu Fonte antiga
- Plutarco, Vidas Paralelas: Pompeu Fonte antiga
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