Sobre a data: O conflito se desdobrou em três guerras distintas, com intervalos de trégua entre elas.
Contexto histórico
A hostilidade das províncias orientais aos cobradores de impostos romanos deu a Mitrídates ampla base de apoio. O massacre de residentes itálicos, em 88 a.C., foi possível justamente por esse ressentimento. A guerra atravessou três fases e envolveu sucessivos comandantes romanos. Pompeu concluiu o conflito e reorganizou politicamente todo o Oriente Próximo, criando províncias, confirmando reis clientes e elevando enormemente as receitas do Estado romano.
Como se desenrolou
Mitrídates VI Eupátor herdou o reino do Ponto, no litoral sul do mar Negro, por volta de 120 a.C., e expandiu-se para a Cólquida, a Crimeia e a Capadócia, aliando-se por casamento a Tigranes I da Armênia. Quando Roma estava absorvida pela Guerra Social, invadiu a Bitínia e a Ásia, em 89-88 a.C. Em 88 a.C., mandou que as cidades matassem, em um único dia, os romanos e itálicos que viviam nelas, e as fontes falam em oitenta mil mortos, número de Plutarco e Apiano, embora outros autores ofereçam cifras maiores. Atenas aderiu, e o general Arquelau levou tropas pônticas à Grécia, que também se rebelou.
Na Primeira Guerra, Sula desembarcou na Grécia em 87 a.C., cercou Atenas e tomou-a em março de 86, e saqueou o Pireu. Venceu as forças de Arquelau em Queroneia e Orcômeno, na Beócia, em 86. Enquanto isso, o governo mariano de Roma enviou outro exército, comandado por Flaco e, após seu assassinato, por Fímbria, que atacou Mitrídates na Ásia. Sula, com urgência de retornar à Itália, negociou a paz de Dárdano, em 85 a.C.: o rei devolveu as conquistas, entregou setenta navios e pagou indenização. A Segunda Guerra, de 83 a 81 a.C., foi uma série de escaramuças conduzidas por Lúcio Licínio Murena, sem resultado.
A Terceira Guerra começou em 73 a.C., quando Mitrídates invadiu a Bitínia, deixada a Roma por testamento. Lúculo, cônsul em 74, derrotou-o em Cízio e na Capadócia, e depois venceu Tigranes em Tigranocerta (69) e avançou à Armênia, mas seus soldados se amotinaram. Em 66 a.C., a lei Manília entregou o comando a Pompeu, que derrotou Mitrídates com combate noturno perto da futura Nicópolis e forçou-o a fugir ao Bósforo Cimério. Pompeu aceitou a submissão de Tigranes, percorreu o Cáucaso e anexou a Síria, em 64. Mitrídates, traído pelo filho Fárnaces, morreu em 63 a.C., por suicídio ou pela mão de um soldado.
O que levou a isso
- Expansão do reino do Ponto sobre a Ásia Menor
- Ressentimento provincial contra a cobrança abusiva de impostos por publicanos
- Disputas internas romanas que fragmentaram o esforço militar
O que veio depois
- Reorganização do Oriente Próximo com novas províncias e reinos clientes
- Aumento expressivo das receitas fiscais romanas
- Prestígio e riqueza que fizeram de Pompeu o homem mais poderoso de Roma
Importância histórica
Consolida o domínio romano sobre o Oriente e cria a base de poder pessoal que sustentaria o primeiro triunvirato.
O que dizem as fontes
As narrativas decisivas são as de Apiano (Guerras Mitridáticas), Plutarco (Sula, Lúculo, Pompeu), além de Cícero em seus discursos e do resumo de Pompeu Trogo conservado por Justino. Todas refletem a ótica romana e a rivalidade entre Lúculo e Pompeu. A historiografia moderna, em particular Adrienne Mayor, destacou a dimensão cultural helenizante e a propaganda antirromana do rei. O número de vítimas das Vésperas Asiáticas é incerto e a participação de cada comunidade, debatida. A numismática pôntica e a epigrafia de cidades gregas ajudam a cronologia, mas ainda há dúvidas quanto às datas de algumas campanhas.
Figuras envolvidas
- Lúcio Cornélio Sula — o primeiro a marchar sobre Roma
- Pompeu, o Grande — o comandante dos poderes extraordinários
- Mitrídates VI
- Sula
- Lúculo
- Pompeu
Fontes consultadas
- Apiano, Sobre as guerras mitridáticas Fonte antiga
- Plutarco, Vidas Paralelas: Pompeu e Lúculo Fonte antiga
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