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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

data tradicional

Expulsão de Tarquínio, o Soberbo, e fim da monarquia

A tradição narra a deposição do sétimo e último rei por uma revolta da aristocracia, seguida da substituição do poder vitalício por dois magistrados anuais.

  • Política e governo
  • Monarquia
  • Roma
  • Século VI a.C.
Acontecimento 7 de 144 5 % do percurso

Sobre a data: A data resulta da cronologia dos cônsules reconstruída na República tardia. Historiadores consideram provável que a transição do poder monárquico tenha sido mais lenta e conflituosa do que o episódio único narrado pela tradição.

Contexto histórico

O relato antigo articula a queda da monarquia a um episódio de abuso praticado por um membro da família real, o que serviria de estopim para a revolta liderada por Lúcio Júnio Bruto. A historiografia moderna trata a narrativa como construção posterior, mas reconhece o núcleo do processo: em algum momento do fim do século VI a.C., a aristocracia romana substituiu o governo de um rei pela alternância anual de magistrados escolhidos entre seus pares. Mudanças semelhantes ocorreram em outras cidades da Itália e da Grécia no mesmo período.

Como se desenrolou

O relato de Lívio começa com a campanha de Tarquínio contra a cidade de Árdea, durante a qual os jovens da família real discutiram, no acampamento, a virtude de suas esposas. Cavalgaram até Roma e viram que Lucrécia, esposa de Colatino, estava fiando entre as criadas, enquanto as outras nobres banqueteavam. Dias depois, Sexto Tarquínio, filho do rei, voltou à casa dela e a violentou sob ameaça. Lucrécia chamou o pai e o marido, narrou o ocorrido e se matou com um punhal. Lúcio Júnio Bruto, sobrinho do rei, retirou a arma do corpo e jurou perseguir a família real, o que levou a multidão a se levantar.

Bruto e Colatino levaram o corpo ao Fórum, onde o povo, convocado pelo tribuno dos celeres, votou a deposição do rei e o exílio de sua família. Tarquínio, que estava em Árdea, voltou apressado, encontrou as portas fechadas e o exército sublevado, e partiu para o exílio na Etrúria. Os dois primeiros cônsules, Bruto e Colatino, foram eleitos e fizeram o povo jurar que nunca mais toleraria um rei. Colatino, por pertencer à família Tarquínia, logo foi levado a renunciar e substituído por Valério Publícola. O relato diz que Tarquínio tentou reaver o trono por conspiração e guerra, com o auxílio de Veios e Tarquínia.

Essas tentativas incluem a conspiração dos filhos de Bruto, que o pai teria mandado executar, e a batalha da floresta Arsia, em que Bruto e Arrunte, filho do rei, morreram. Mais tarde, o rei de Clúsio, Porsena, teria atacado Roma e cercado o Janículo, episódio em que se situam as façanhas lendárias de Horácio Cocles, de Múcio Cévola e de Clélia. Há uma tradição, preservada por Tácito e por outros, de que Porsena chegou a tomar a cidade, o que contrasta com a versão romana da resistência heroica. Por fim, Tarquínio morreria em Cumas, na corte do tirano Aristodemo, depois de derrota nas batalhas do lago Regilo.

O que levou a isso

  • Concentração de poder e prestígio nas mãos de uma única família real
  • Fortalecimento de uma aristocracia gentílica com recursos próprios
  • Movimento mais amplo de substituição de monarquias no Mediterrâneo arcaico

O que veio depois

  • Criação de magistraturas colegiadas e anuais no lugar do poder vitalício
  • Rejeição duradoura ao título de rei na cultura política romana
  • Início do longo processo de definição das instituições republicanas

Importância histórica

Encerra o período monárquico na cronologia tradicional e abre a experiência republicana que definiria a identidade política romana por quase cinco séculos.

O que dizem as fontes

O núcleo histórico provável é a mudança do poder monárquico para magistraturas anuais e colegiadas nas décadas finais do século VI ou no início do século V a.C. O episódio de Lucrécia tem cara de narrativa moral, com paralelos gregos, e a figura de Bruto parece ter sido modelada a partir de tradições posteriores. Cornell considera plausível que a mudança tenha envolvido guerras com cidades etruscas e latinas, e que o título de rex tenha sobrevivido em funções religiosas, como o rex sacrorum. Mary Beard destaca que a república romana construiu sua identidade como negação da monarquia. Os Fastos consulares são a base da cronologia, mas sua confiabilidade para o período inicial é discutida.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livros I–II Fonte antiga
  2. Tim J. Cornell, The Beginnings of Rome Routledge

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