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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Morte de Júlio Nepos e fim formal da linha imperial ocidental

O último imperador do Ocidente reconhecido pelo Oriente foi assassinado na Dalmácia, encerrando juridicamente a linha imperial ocidental iniciada por Augusto.

Acontecimento 131 de 144 91 % do percurso

Contexto histórico

Deposto na Itália em 475, Júlio Nepos manteve o título e o reconhecimento de Constantinopla enquanto governava a Dalmácia. Sua morte eliminou a última reivindicação legítima ao cargo, e o imperador do Oriente passou a ser o único titular reconhecido do poder imperial romano. Odoacro anexou a Dalmácia em seguida. Para efeitos jurídicos, é este o marco final da linha ocidental, ainda que a data mais lembrada continue sendo 476.

Como se desenrolou

Júlio Nepos chegou ao poder em 474, com apoio do imperador do Oriente, Leão I, e depôs Glicério, que havia sido proclamado em Ravena pelo patrício burgúndio Gundobado. Nepos era sobrinho, por casamento, de Marcelino, senhor da Dalmácia, e tinha ligação com aquela região. Seu reinado foi curto e frágil, pois dependia de um exército que nunca controlou por inteiro: seu mestre dos soldados, Orestes, se rebelou, e em agosto de 475 Nepos fugiu de Ravena para Salona, na Dalmácia. Dali, continuou a se considerar imperador legítimo, e o Oriente o reconheceu como tal, enquanto Orestes colocava Rômulo no trono italiano.

A queda de Rômulo em 476 não resolveu a questão de Nepos. O Senado de Roma, em mensagem a Zenão, reconheceu a autoridade de Constantinopla, mas Odoacro mostrou-se pouco disposto a receber o antigo imperador de volta. Há indícios de que Nepos tenha pretendido recuperar a Itália, e Zenão lhe prometeu apoio sem concretizá-lo. Em 480, Nepos foi assassinado em sua casa de campo nos arredores de Salona por seus condes, Viator e Ovida, conforme Marcelino Comes. Alguns estudiosos suspeitam da participação de Glicério, que teria sido nomeado bispo de Salona, mas não há prova.

Depois da morte de Nepos, o território dálmata ficou em disputa. Ovida controlou a região por algum tempo, e Odoacro, após a morte dele, invadiu a Dalmácia e a anexou em 481 ou 482, derrotando os seguidores do assassino. Com isso, o reino de Odoacro passou a abranger a Itália e a costa adriática oriental. Zenão não mais indicou imperador ocidental, e o Senado romano seguiu reconhecendo o imperador de Constantinopla. Nos anos seguintes, o poder efetivo na Itália permaneceu com Odoacro, até a campanha de Teodorico, rei dos ostrogodos, entre 489 e 493.

O que levou a isso

  • Deposição prévia de Nepos na Itália e seu exílio na Dalmácia
  • Disputas internas entre facções militares na região
  • Consolidação do poder de Odoacro na Itália

O que veio depois

  • Extinção jurídica da linha imperial ocidental
  • Reconhecimento do imperador do Oriente como único titular do poder romano
  • Anexação da Dalmácia ao reino de Odoacro

Importância histórica

Fecha formalmente a sequência de imperadores do Ocidente e transfere ao Oriente a continuidade jurídica do Estado romano.

O que dizem as fontes

A informação central, a morte de Nepos em 480, vem de Marcelino Comes, que escreve no século VI e se apoia em fontes orientais; Malco e Jordanes completam o quadro. Isso implica que o episódio é conhecido por poucas linhas, e os detalhes sobre os assassinos e os motivos têm origem em testemunhos distantes. A questão de saber se 476 ou 480 deve marcar o fim do Império do Ocidente é, em boa medida, de convenção jurídica e historiográfica. Estudiosos como Penny MacGeorge e Peter Heather observam que o poder imperial ocidental já era residual muito antes. A numismática e a epigrafia italianas mostram uma transição gradual e não um corte abrupto, o que limita qualquer datação precisa.

Figuras envolvidas

  • Júlio Nepos
  • Zenão
  • Odoacro

Fontes consultadas

  1. Marcelino Comes, Crônica Fonte antiga
  2. The Oxford Dictionary of Late Antiquity Oxford University Press

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