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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Grande Perseguição aos cristãos

Éditos sucessivos ordenaram a destruição de igrejas, a entrega de livros sagrados e o sacrifício obrigatório, na mais ampla e violenta perseguição religiosa da história romana.

  • Religião e crenças
  • Baixo Império
  • Todo o território romano
  • Século IV d.C.
Acontecimento 107 de 144 74 % do percurso

Sobre a data: A duração e o rigor variaram muito entre as regiões: no ocidente, a aplicação foi mais branda e mais curta do que no oriente.

Contexto histórico

A perseguição integrava o projeto de restauração da ordem tradicional que orientava o governo. Bens foram confiscados, clérigos presos e execuções ocorreram em várias províncias. O resultado foi o oposto do pretendido: as comunidades cristãs saíram do episódio mais coesas e com um repertório de mártires que reforçou sua identidade. Em 311, um édito de tolerância encerrou oficialmente a política, reconhecendo seu fracasso.

Como se desenrolou

A perseguição começou depois de um período de reflexão na corte. Lactâncio narra que, em Nicomédia, o adivinho consultado por Diocleciano atribuiu a falha dos presságios à presença de cristãos entre os assistentes, e que Galério pressionou o imperador a agir. Em 23 de fevereiro de 303, dia da festa de Terminalia, a guarda pretoriana destruiu a grande igreja de Nicomédia, visível do palácio. No dia seguinte, o primeiro édito ordenou a demolição de igrejas, a queima das Escrituras e a perda de direitos e privilégios de cristãos de alto status. Um incêndio no palácio, atribuído por alguns a cristãos, serviu de pretexto para novas medidas.

Éditos posteriores ampliaram o alcance. Em 303, o clero foi preso, e depois muitos foram libertados mediante um ato de sacrifício. Um quarto édito, no início de 304, exigiu que todos os habitantes oferecessem sacrifícios, o que lembrava a exigência de Décio. A aplicação, porém, variou muito. No Ocidente, Constâncio fez demolir igrejas, mas, segundo a tradição, evitou execuções. Maximiano foi mais severo na Itália e na África. No Oriente, sobretudo sob Galério e Maximino Daia, os rigores foram maiores, e Eusébio descreve, nos Mártires da Palestina, execuções, trabalhos forçados nas minas e mutilações. A entrega de livros sagrados a magistrados gerou, na África, a acusação de traição contra os traditores.

A política perdeu o vigor depois de 305, mas só terminou no Oriente em 311. Em 30 de abril desse ano, em Sérdica, Galério, doente, publicou um édito que permitia aos cristãos reunir-se, desde que não perturbassem a ordem, e pedia que rezassem pelo imperador. Em 313, Constantino e Licínio ampliariam essa tolerância. A experiência deixou uma herança de disputa interna. Na África, o conflito sobre a conduta dos que haviam entregado livros e sobre a validade de ordenações feitas por tais bispos deu origem ao donatismo. O número de mártires é incerto, e os relatos eusebianos tendem a uma visão engrandecida do evento.

O que levou a isso

  • Projeto de restauração da religião tradicional como base da ordem imperial
  • Recusa cristã em participar dos cultos públicos obrigatórios
  • Crescimento visível das comunidades cristãs, inclusive no exército e na administração

O que veio depois

  • Destruição de igrejas e de livros, prisões e execuções em várias províncias
  • Fortalecimento da coesão interna das comunidades cristãs
  • Édito de tolerância em 311, reconhecendo o fracasso da política

Importância histórica

Último grande esforço do Estado romano para eliminar o cristianismo, imediatamente anterior à sua legalização e ascensão.

O que dizem as fontes

As fontes principais são cristãs: Eusébio de Cesareia, na História Eclesiástica e nos Mártires da Palestina, e Lactâncio, com forte coloração moral e polêmica. Dispomos também dos textos dos éditos, preservados de forma indireta, e de atas de mártires, de confiabilidade variável. A arqueologia e a epigrafia ajudam pouco a medir a violência. Por isso o debate é grande sobre a escala: houve milhares de vítimas ou algumas centenas? A resposta parece depender da região e do período, e a ênfase de Eusébio no Oriente pode distorcer o quadro. Também se discute a motivação: Galério, a tradição religiosa de Diocleciano ou a preocupação com a lealdade do exército. O processo de sucessivos éditos sugere decisão gradual, não plano único.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, livro VIII Fonte antiga
  2. Lactâncio, Sobre a morte dos perseguidores Fonte antiga

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