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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Guerras marcomanas no Danúbio

Confederações germânicas cruzaram o Danúbio e chegaram a sitiar cidades no norte da Itália, obrigando o império a uma guerra defensiva de quinze anos.

  • Guerra e conquista
  • Alto Império
  • Fronteira do Danúbio e norte da Itália
  • Século II d.C.
Acontecimento 92 de 144 64 % do percurso

Contexto histórico

Foi a primeira vez em quase três séculos que inimigos externos ameaçaram diretamente a Itália. O imperador passou a maior parte de seu governo em campanha na fronteira, onde escreveu as reflexões pessoais que se tornariam um clássico da filosofia estoica. A guerra revelou a dificuldade de sustentar simultaneamente várias frentes com um exército já reduzido pela epidemia, problema que se agravaria no século seguinte.

Como se desenrolou

As primeiras incursões foram registradas por volta de 166 e 167, quando bandos de longobardos e ôbios cruzaram o Danúbio na Panônia e foram rechaçados. Em seguida, marcomanos e quados, povos estabelecidos na atual Boêmia e Morávia, pressionaram a fronteira, enquanto os jázigos sármatas atacavam no leste. Marco Aurélio e Lúcio Vero foram para Aquileia em 168, mas a epidemia atingiu o exército, e Vero morreu em 169. Em 170, os romanos sofreram uma derrota séria, e os invasores avançaram sobre a Itália, destruíram Opitérgio e sitiaram Aquileia. O prefeito do pretório, Macrínio Vindex, morreu em combate. A imagem de um inimigo às portas de Roma abalou a opinião pública.

Marco Aurélio organizou uma defesa com meios incomuns. A Historia Augusta conta que ele recrutou escravos, gladiadores e bandidos da Dalmácia e da Dardânia, e Dião Cássio acrescenta que vendeu bens para evitar novos impostos. Criou um comando especial, a praetentura Italiae et Alpium, e passou a residir em Carnunto e Sírmio, ao longo do rio. A partir de 171, os romanos passaram à ofensiva e atravessaram o Danúbio. Em 172, na campanha contra os quados, a tradição fala do episódio do milagre da chuva, que salvou a coluna da sede e foi atribuído por pagãos a Mercúrio ou a um mago egípcio, e por cristãos às orações da legião Fulminata.

Em 175 a rebelião de Avídio Cássio, governador da Síria, interrompeu as operações, e o imperador foi ao Oriente, onde a esposa Faustina morreu. Na volta, retomou a guerra e, em 177, partiu para a segunda expedição, acompanhado de Cômodo. Os romanos reduziram marcomanos e quados e, segundo a Historia Augusta, consideraram anexar a região como províncias de Marcomânia e Sarmácia. Marco Aurélio morreu em Vindobona ou Sírmio, em março de 180. Cômodo logo firmou a paz. Em Mušov, na Morávia, escavou-se um grande acampamento romano de inverno, e uma inscrição de 179 em Trenčín, na Eslováquia, marca o ponto mais ao norte já atingido por uma unidade romana.

O que levou a isso

  • Movimentação de povos na Europa central pressionando a linha do Danúbio
  • Redução da capacidade militar romana por efeito da epidemia
  • Concentração de tropas no Oriente durante a guerra contra os partos

O que veio depois

  • Anos de campanhas defensivas e assentamento de grupos externos em território imperial
  • Aumento dos gastos militares e pressão sobre as finanças públicas
  • Precedente das grandes pressões fronteiriças do século III

Importância histórica

Primeiro sinal claro de que a defesa das fronteiras europeias se tornara um problema estrutural, e não episódico.

O que dizem as fontes

A cronologia das guerras é intrincada e muito apoiada na Coluna de Marco Aurélio, em Roma, cujos relevos, de estilo mais dramático do que os da Coluna de Trajano, servem como fonte iconográfica. As narrativas literárias, Dião Cássio e a Historia Augusta, são fragmentárias e pouco confiáveis; as Meditações, escritas em parte no front, dão acesso ao estado de espírito do imperador, mas quase nenhum dado factual. Discute-se se Marco Aurélio pretendia de fato anexar territórios além do Danúbio e quanto a morte do imperador impediu a conquista, hipótese cara à Historia Augusta e vista com ceticismo por muitos historiadores.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. Dião Cássio, História Romana, livro LXXII Fonte antiga
  2. Marco Aurélio, Meditações Fonte antiga

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