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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Início da Primeira Guerra Púnica

A intervenção romana em Messina, cidade siciliana disputada entre Siracusa e Cartago, desencadeou o primeiro confronto direto entre as duas maiores potências do Mediterrâneo ocidental.

  • Guerra e conquista
  • República
  • Messina, Sicília
  • Século III a.C.
Acontecimento 26 de 144 18 % do percurso

Contexto histórico

Um grupo de mercenários itálicos instalado em Messina pediu socorro simultaneamente a cartagineses e romanos. O Senado hesitou, e a decisão de intervir foi tomada em assembleia popular, evidenciando o peso das expectativas de espólio na política externa. A travessia do estreito rompeu a linha de acordos que separava as áreas de influência desde o século VI a.C. O que começou como intervenção local se transformou em uma guerra de vinte e três anos travada sobretudo no mar.

Como se desenrolou

Os mercenários em questão eram os mamertinos, antigos soldados campanos que haviam servido ao tirano Agátocles de Siracusa e, por volta de 288 a.C., tomaram Messina, matando ou expulsando os homens da cidade. Durante duas décadas viveram de pilhagem na região, até serem derrotados por Hierão II, que se tornou soberano de Siracusa. Cercados e sem esperança, apelaram a duas potências ao mesmo tempo. Cartago, que já mantinha presença na ilha, foi mais rápida e instalou uma guarnição na cidadela de Messina, com a concordância de parte dos mamertinos, que preferiam um protetor distante a um vizinho hostil.

Em Roma, segundo Políbio, o Senado hesitou por razões de coerência, pois acabara de punir os próprios soldados campanos que haviam se apoderado de Régio, na Itália. A questão passou então aos comícios, onde os cônsules prometeram ganhos concretos. O cônsul Ápio Cláudio Caudex recebeu o comando e, em 264 a.C., conseguiu cruzar o estreito, escapando de uma frota cartaginesa. Instalado em Messina, a guarnição púnica se retirou, e Ápio derrotou separadamente o campo siracusano e o cartaginês, que haviam se unido para sitiar a cidade, o que Políbio apresenta como prova da superioridade das legiões em terra.

O resultado imediato foi uma reviravolta diplomática. Em 263 a.C., Hierão II, impressionado com o avanço romano, firmou paz e aliança com Roma, com indenização e fornecimento de víveres, e permaneceria fiel por meio século. Em 262 a.C., os romanos sitiaram Agrigento, principal base cartaginesa no interior da Sicília, e a tomaram após meses de cerco e de uma batalha de socorro. Mas a conquista do litoral exigia domínio do mar, e foi essa constatação que levaria a república a produzir sua primeira grande frota, ampliando um conflito que ninguém previra tão longo.

O que levou a isso

  • Pedido de socorro de mercenários instalados em Messina
  • Temor romano de presença cartaginesa permanente no estreito
  • Expectativa de espólio e prestígio militar entre a elite e a assembleia

O que veio depois

  • Primeira operação militar romana fora da península itálica
  • Construção de uma frota de guerra romana a partir do zero
  • Guerra prolongada que exauriria as finanças de ambos os lados

Importância histórica

Marca a passagem de Roma de potência itálica a potência mediterrânica e o início da rivalidade que definiria o século III a.C.

O que dizem as fontes

A narrativa se apoia sobretudo em Políbio, que escreveu cerca de um século depois e usou fontes de ambos os lados, entre elas o historiador pró-cartaginês Filino de Agrigento, que ele critica por parcialidade. A versão de que a decisão romana nasceu de um voto popular movido pela cobiça é de Políbio e discute-se o quanto ele simplifica a política senatorial. Também é debatido se havia tratados anteriores que Roma violou, pois Políbio e Lívio divergem sobre isso. A responsabilidade pela guerra continua em disputa entre os modernos, e nada garante que os números de tropas citados sejam exatos.

Fontes consultadas

  1. Políbio, Histórias, livro I Fonte antiga
  2. Adrian Goldsworthy, The Punic Wars Cassell

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