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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Instituição da tetrarquia

O poder foi dividido entre quatro governantes, dois superiores e dois subordinados designados como sucessores, cada um responsável por uma parte do território.

  • Política e governo
  • Baixo Império
  • Nicomédia, Milão, Tréveris e Sírmio
  • Século III d.C.
Acontecimento 105 de 144 73 % do percurso

Contexto histórico

O objetivo era duplo: garantir presença militar em várias frentes ao mesmo tempo e resolver o problema da sucessão por meio de uma regra clara de promoção. As capitais deslocaram-se para cidades próximas das fronteiras, e Roma perdeu na prática sua centralidade administrativa. O sistema funcionou enquanto Diocleciano teve autoridade pessoal para sustentá-lo; após sua abdicação, a lógica dinástica retornou e o arranjo ruiu em guerras civis.

Como se desenrolou

A tetrarquia nasceu por etapas, não de um plano único. Em 285, Diocleciano nomeou Maximiano como César, isto é, auxiliar, e em 286 elevou-o a Augusto, com o encargo de governar o Ocidente. Os dois adotaram epítetos religiosos, Jóvio e Herculeu, que sugeriam uma divisão de papéis entre o deus que planeja e o que executa. Em 293, a data tradicional é 1º de março, foram nomeados dois novos Césares: Constâncio, ligado ao Ocidente, e Galério, ligado ao Oriente. Constâncio recebeu Teodora, enteada de Maximiano, em casamento, e Galério foi unido a Valéria, filha de Diocleciano. Constâncio e Galério foram adotados pelos respectivos Augustos.

Cada governante tinha uma região e uma corte próprias. Diocleciano residia sobretudo em Nicomédia, na Bitínia, Maximiano em Milão, Constâncio em Tréveris e Galério em Sírmio e Tessalônica. A repartição não criava Estados independentes, e as leis eram emitidas em nome de todos. Os êxitos militares foram notáveis: Constâncio retomou a Britânia do usurpador Alecto em 296, após dez anos de domínio de Carausius e de seu sucessor. Galério foi derrotado por Narses em 296 ou 297, mas venceu em seguida e impôs a paz de 299, que entregou à Roma territórios na Mesopotâmia. Diocleciano reprimiu uma revolta no Egito. As campanhas ocorriam em paralelo, algo impossível a um só imperador.

A representação visual da tetrarquia enfatizava a concórdia. Na estátua de pórfiro hoje na fachada da basílica de São Marcos, em Veneza, quatro figuras idênticas se abraçam, sem traços individuais. Panegíricos latinos exaltavam a harmonia entre os governantes e a continuidade dos deuses. A regra de sucessão, conforme sugerem as fontes, era que os Augustos se retirassem depois de cerca de vinte anos e fossem substituídos pelos Césares, que escolheriam novos auxiliares. Os filhos naturais, como Constantino e Maxêncio, ficaram à margem. Em 303, na celebração dos vinte anos de reinado de Diocleciano, em Roma, a coesão foi encenada publicamente.

O que levou a isso

  • Impossibilidade de um governante atender simultaneamente a todas as fronteiras
  • Necessidade de uma regra sucessória previsível
  • Experiência acumulada de meio século de usurpações militares

O que veio depois

  • Divisão administrativa e militar do território entre quatro governantes
  • Deslocamento das capitais para cidades próximas das fronteiras
  • Colapso do sistema após a abdicação de seu criador, com novas guerras civis

Importância histórica

Primeira tentativa institucional de resolver o problema estrutural da sucessão imperial e antecedente direto da futura divisão do império.

O que dizem as fontes

A tetrarquia é conhecida por um conjunto muito diversificado de fontes: panegíricos latinos pronunciados em honra dos governantes, que oferecem uma imagem oficial, inscrições, moedas e monumentos como o pórfiro de Veneza, além de Lactâncio e historiadores do século IV, que escrevem com visão posterior e hostil. Por isso, as datas exatas e o grau de planejamento são debatidos: parte dos autores modernos duvida que existisse um sistema sucessório formal desde o início e vê nele um resultado de improvisações. Também se discute se a ideia de uma divisão territorial rígida corresponde à prática, uma vez que Diocleciano manteve influência sobre todos. A data tradicional de 1º de março de 293 deve ser tomada como convenção.

Figuras envolvidas

  • Diocleciano — o reformador do Estado
  • Maximiano
  • Galério
  • Constâncio Cloro

Fontes consultadas

  1. Lactâncio, Sobre a morte dos perseguidores Fonte antiga
  2. The Cambridge Ancient History, vol. XII Cambridge University Press

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