Contexto histórico
O imperador foi acusado pelos soldados de preferir negociar com adversários germânicos a combatê-los. Seu sucessor, Maximino, foi o primeiro governante a chegar ao poder sem qualquer vínculo com a aristocracia senatorial e sem passar por Roma. A partir daí, proclamações militares se sucederam em ritmo vertiginoso: em cinquenta anos, dezenas de homens reivindicaram o trono, e pouquíssimos morreram de causas naturais.
Como se desenrolou
Severo Alexandre tornou-se imperador em 222, com treze anos, após o assassinato de Heliogábalo pelos pretorianos. A mãe, Júlia Mameia, exercia grande influência, e um conselho senatorial auxiliava o governo. O cenário externo mudou com a queda da dinastia arsácida parta e a ascensão dos sassânidas sob Ardashir I, em 224–226, que ameaçavam a Mesopotâmia. Entre 231 e 233, Alexandre dirigiu uma campanha oriental com resultados ambíguos: Herodiano critica sua conduta, e as fontes latinas pintam uma vitória. Em 234, notícias de que germanos cruzavam o Reno e o Danúbio forçaram o imperador a se deslocar para Mogoncíaco, atual Mainz, com tropas do Oriente.
Em Mogoncíaco, Alexandre preferiu negociar e comprar a paz com subsídios, em vez de atacar de imediato. Herodiano afirma que os soldados, endurecidos em campanhas no Danúbio, consideraram humilhante a conduta de um jovem controlado pela mãe. A sedição se concentrou em recrutas e em oficiais de origem balcânica. O comandante de uma unidade de instrução, Gaio Júlio Vero Maximino, de origem trácia e carreira equestre, foi aclamado. Alexandre e Mameia foram mortos em março de 235 na própria tenda, em local que Herodiano situa perto de Mogoncíaco e a Historia Augusta chama de vicus Britannicus, em tradição discutida. A dinastia se extinguiu com ele.
Maximino governou três anos sem visitar Roma. Combateu alamanos e sármatas, reforçou o exército, e financiou o soldo com confiscos de bens de ricos, o que desagradou aos senadores e às elites provinciais. Em 238, uma rebelião na África levou à proclamação de Gordiano I e de seu filho, rapidamente derrotados, e o Senado nomeou Pupieno e Balbino. Maximino marchou contra a Itália, mas foi detido no cerco de Aquileia e morto pelos seus soldados. Pupieno e Balbino foram eliminados pelos pretorianos, e o jovem Gordiano III chegou ao poder. Era o ano dos seis imperadores. A sucessão rápida de líderes prosseguiu até a ascensão de Diocleciano, em 284.
O que levou a isso
- Descontentamento militar com a condução das campanhas de fronteira
- Dependência absoluta do poder imperial em relação ao apoio das tropas
- Esgotamento da legitimidade dinástica dos severos
O que veio depois
- Início do período de proclamações militares sucessivas
- Perda de influência definitiva do Senado sobre a escolha do imperador
- Instabilidade que se somaria a pressões externas e crise econômica
Importância histórica
Data convencional de início da crise do século III, o período mais instável da história imperial romana.
O que dizem as fontes
Herodiano é a fonte contemporânea mais importante, mas tem pouca precisão cronológica e geográfica; a Historia Augusta oferece detalhes de valor duvidoso, sobretudo para essa fase. Dião Cássio termina o relato em 229, e a escassez de textos gera lacunas que moedas, inscrições e papiros só preenchem em parte. A data de 235 como início da crise é convenção de manuais, pois problemas de sucessão, finanças e fronteiras já existiam antes e a intensidade da instabilidade variou conforme a região. Averil Cameron e outros historiadores sublinham que a ideia de uma crise generalizada do século III vem sendo revista, com atenção a continuidades.
Figuras envolvidas
- Severo Alexandre
- Maximino Trácio
Fontes consultadas
- Herodiano, História do Império Romano após Marco Aurélio Fonte antiga
- Averil Cameron, The Later Roman Empire Fontana Press
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