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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Morte de Teodósio e divisão definitiva da administração imperial

Com a morte de Teodósio, o governo do território foi repartido entre seus dois filhos, e as duas metades jamais voltariam a ter um único governante.

  • Política e governo
  • Baixo Império
  • Milão e Constantinopla
  • Século IV d.C.
Acontecimento 119 de 144 83 % do percurso

Sobre a data: A divisão não foi juridicamente uma separação em dois Estados: o império continuava sendo um só, com dois governantes. A distinção entre Ocidente e Oriente como entidades distintas é uma leitura posterior.

Contexto histórico

Divisões administrativas já haviam ocorrido antes e não eram vistas como ruptura. O que tornou esta definitiva foi a divergência crescente de trajetórias: o Oriente, mais urbanizado e com receitas maiores, conseguiu comprar paz e reorganizar sua defesa; o Ocidente, com fronteiras mais longas e base fiscal menor, perdeu progressivamente território, receita e capacidade militar. As duas cortes passaram a competir mais do que a cooperar.

Como se desenrolou

Teodósio morreu em Milão, em janeiro de 395, poucos meses depois de vencer Eugênio. Deixou dois filhos jovens: Arcádio, que tinha cerca de dezessete anos e já era augusto, e Honório, com cerca de dez. Arcádio ficou com o governo do Oriente, a partir de Constantinopla, e Honório com o do Ocidente, a partir de Milão. Ambos eram tutelados por homens fortes. No Oriente, o prefeito do pretório Rufino controlava a corte; no Ocidente, o general Estilicão afirmou ter recebido do imperador morto a responsabilidade pelos dois jovens, alegação que o Oriente nunca aceitou. A cerimônia fúnebre em Milão teve o bispo Ambrósio como orador.

A fronteira entre as duas partes passava pelos Bálcãs, e a região da Ilíria foi objeto de disputa, porque fornecia recrutas e tinha importância estratégica. A administração civil, organizada em prefeituras do pretório, permaneceu em larga medida como antes, e leis de um governante deviam, em princípio, ser comunicadas ao outro. Pouco depois, os godos, liderados por Alarico, que havia comandado contingentes no Frígido, se rebelaram e saquearam a Grécia. Estilicão tentou intervir com tropas, mas foi detido por ordem do Oriente. A morte de Rufino, assassinado diante de Arcádio em novembro de 395, não restabeleceu a cooperação.

Nos anos seguintes, as duas cortes trataram uma à outra com desconfiança. Alarico recebeu comando militar do Oriente e depois foi atraído para o Ocidente, e a Itália passou a sofrer invasões. Honório transferiu a corte de Milão para Ravena em 402, onde os pântanos facilitavam a defesa. No Oriente, a corte foi governada por eunucos, generais e finalmente pela burocracia civil, que encontrou formas de comprar a paz com tributos e de reduzir a influência de chefes militares godos. A diferença de rumos, combinada à falta de coordenação, deu ao Oriente maior estabilidade ao longo do século V.

O que levou a isso

  • Existência de dois herdeiros e prática consolidada de governo compartilhado
  • Dimensão do território e das frentes militares a atender
  • Diferenças estruturais de riqueza e defensabilidade entre as duas metades

O que veio depois

  • Administrações separadas e frequentemente rivais em Milão e Constantinopla
  • Trajetórias divergentes: recuperação no Oriente, erosão no Ocidente
  • Base da distinção histórica entre Império do Ocidente e Império do Oriente

Importância histórica

Momento a partir do qual as duas metades do mundo romano seguem caminhos distintos, com desfechos opostos.

O que dizem as fontes

As fontes sobre 395 incluem Claudiano, poeta a serviço de Estilicão, cujos panegíricos são partidários, além de Zósimo, Orósio e Sócrates, e de leis do Código Teodosiano. A afirmação de que Teodósio teria dividido o império por vontade própria é frequentemente repetida, mas deve-se ver como uma simplificação de uma situação que já era de governo compartilhado, como destacam historiadores como Peter Heather. O debate envolve o grau de continuidade da unidade jurídica, a legitimidade das pretensões de Estilicão e o peso da divisão na queda do Ocidente. Não há consenso sobre o quanto o ano de 395 representa uma ruptura em si e o quanto apenas prolonga tendências anteriores.

Figuras envolvidas

  • Teodósio I — o último a governar todo o império
  • Honório — o imperador do saque de 410
  • Arcádio
  • Estilicão

Fontes consultadas

  1. Zósimo, História Nova, livro V Fonte antiga
  2. Peter Heather, The Fall of the Roman Empire: A New History Oxford University Press

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