Contexto histórico
O saque foi mais metódico e prolongado do que o de 410, embora as fontes indiquem que houve negociação para evitar incêndios e massacres generalizados. Telhas de bronze dourado de templos foram retiradas, e objetos trazidos de Jerusalém quase quatro séculos antes teriam sido levados para Cartago. A cidade, que já vinha perdendo população e função política, saiu ainda mais reduzida. O governo ocidental, incapaz de proteger sua antiga capital, tornou-se uma sucessão de figuras controladas por comandantes militares.
Como se desenrolou
O saque de 455 decorre de uma sequência de assassinatos. Em 454, Valentiniano III matou pessoalmente o general Aécio, durante uma audiência, e em 16 de março de 455 foi morto no Campo de Marte por dois guardas de Aécio, Optila e Traustila. Subiu ao trono o senador Petrônio Máximo, que obrigou a viúva, Licínia Eudóxia, a se casar com ele. Segundo Procópio e outras fontes, Eudóxia teria apelado a Genserico em busca de vingança, versão que muitos historiadores duvidam. Genserico, de todo modo, tinha um acordo anterior com o Império que, com a morte de Valentiniano, considerava rompido.
Quando a frota vândala se aproximou da foz do Tibre, Petrônio Máximo tentou fugir de Roma e foi linchado pela população em 31 de maio, depois de reinar menos de três meses. Três dias mais tarde, em 2 de junho, Genserico entrou na cidade sem resistência. Próspero registra que o papa Leão I foi ao encontro dele e obteve a promessa de que não haveria incêndios nem massacres, embora a pilhagem tenha prosseguido por catorze dias. Procópio afirma que o rei levou as telhas de bronze dourado do templo de Júpiter Capitolino, e menciona o tesouro do Templo de Jerusalém trazido por Tito, que acabou em Cartago.
Os vândalos embarcaram, levando milhares de cativos, entre os quais Licínia Eudóxia e suas filhas Eudócia e Placídia. Eudócia foi casada com Hunerico, filho de Genserico, e Placídia só foi libertada mais tarde, após negociação com o Oriente. Parte dos prisioneiros foi resgatada pelo bispo de Cartago, Deogratias, que, segundo Vítor de Vita, vendeu objetos litúrgicos para libertar romanos e cuidar dos cativos. Em Roma, o poder imperial passou ao general suevo Ricímero, que nas duas décadas seguintes nomeou e depôs imperadores, como Avito, Majoriano e Líbio Severo, todos dependentes do apoio de tropas federadas e de sua autoridade pessoal sobre o exército.
O que levou a isso
- Domínio naval vândalo sobre o Mediterrâneo ocidental
- Instabilidade política em Roma após o assassinato do imperador Valentiniano III
- Ausência de forças navais romanas capazes de impedir o desembarque
O que veio depois
- Perda de grande volume de riqueza material e humana
- Novo declínio demográfico e econômico da cidade
- Sucessão de imperadores ocidentais efêmeros e controlados por generais
Importância histórica
Evidência definitiva de que o governo ocidental não conseguia mais defender nem seu centro simbólico.
O que dizem as fontes
Próspero de Aquitânia é a fonte contemporânea mais confiável para a embaixada de Leão, mas não detalha o que foi levado. Procópio, escrevendo quase um século depois, é a base para as notícias sobre o templo de Júpiter e os objetos de Jerusalém, e sua credibilidade é debatida. Hidácio, na Galiza, e João de Antioquia também registram o episódio. A arqueologia romana oferece poucos sinais claros de destruição em 455, o que sugere que o saque foi mais de bens móveis do que de edifícios. A ideia de que Eudóxia chamou Genserico tem sido tratada com ceticismo, pois pode refletir propaganda posterior. Os números de cativos continuam sem verificação independente.
Figuras envolvidas
- Genserico
- Leão I
- Petrônio Máximo
Fontes consultadas
- Procópio de Cesareia, Guerra Vandálica Fonte antiga
- Prosper de Aquitânia, Crônica Fonte antiga
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