Contexto histórico
Após a morte de seu marido, que havia repelido os sassânidas em nome de Roma, Zenóbia assumiu o comando em nome do filho e expandiu o controle palmireno sobre a Síria, a Ásia Menor e o Egito, cortando o abastecimento de grãos da capital. A campanha de Aureliano restaurou o domínio romano em pouco mais de um ano. Palmira foi tomada e, após nova revolta, severamente punida. Suas ruínas, hoje na Síria, são reconhecidas como patrimônio mundial.
Como se desenrolou
A ascensão de Palmira começa com Septímio Odenato, aristocrata local reconhecido por Roma como cônsul e depois como corretor de todo o Oriente. Após a captura de Valeriano, ele derrotou o usurpador Quieto e organizou a resistência aos sassânidas; as fontes dizem que chegou até as proximidades de Ctesifonte, capital persa, por volta de 262 a 264. Em 267 ou 268, Odenato e seu filho mais velho foram assassinados, em circunstâncias obscuras, durante uma estada na Capadócia ou perto de Emesa. Sua viúva Zenóbia, de nome árabe Bat-Zabbai, assumiu a regência em nome do filho pequeno Vabalato, nome que os textos gregos e latinos transcrevem com variações.
O passo decisivo veio em 270, depois da morte de Cláudio II. Tropas palmirenas invadiram o Egito, onde o prefeito romano Probo foi morto, e avançaram sobre a Ásia Menor até Ancira. As moedas cunhadas em Antioquia e Alexandria mostram a evolução da pretensão. No início, Vabalato aparece com títulos próprios ao lado de Aureliano, reconhecendo uma soberania formal. Em 271, passou a figurar como Augusto, enquanto Zenóbia também recebia esse título, o que significava ruptura aberta. Isso interrompeu o abastecimento de grãos do Egito, essencial para Roma. Palmira controlava, assim, as rotas caravaneiras e a Síria, em arranjo que combinava elementos romanos, gregos e semíticos.
Aureliano agiu em 272. Derrotou os palmirenos em Imas, perto de Antioquia, e depois em Emesa, onde a cavalaria pesada de Zenóbia foi vencida. Retomou o Egito por meio de Probo, que se tornou comandante naval. Cercou Palmira, onde Zenóbia tentou fugir para o Eufrates e foi capturada. O filósofo Longino, seu conselheiro, foi executado segundo as fontes. Em 273, uma nova revolta na cidade foi punida com dureza. Zenóbia desfilou, de acordo com a Historia Augusta, no triunfo de Aureliano, mas seu destino posterior é incerto. A prosperidade da cidade se encerrou com os tumultos, e sua guarnição romana passou a ocupá-la.
O que levou a isso
- Vazio de autoridade romana no Oriente após a captura de Valeriano
- Papel militar central de Palmira na contenção dos sassânidas
- Ambição política e capacidade organizativa da liderança palmirena
O que veio depois
- Perda temporária do Egito e do Oriente pelo governo central romano
- Campanha de Aureliano e derrota de Palmira
- Declínio definitivo da cidade como potência regional
Importância histórica
Episódio decisivo da fragmentação do século III e um dos mais notáveis exemplos de poder regional autônomo dentro do mundo romano.
O que dizem as fontes
A documentação de Palmira é incomum. Inscrições bilíngues em palmireno e grego, os monumentos funerários e as moedas permitem acompanhar a vida da cidade e a evolução dos títulos de Odenato, Zenóbia e Vabalato. As narrativas, porém, são tardias e sofrem a influência de um retrato romanizado e, por vezes, romanesco da rainha: a Historia Augusta é a fonte dos pormenores mais pitorescos e a menos fiável. Zósimo é a principal narrativa mais sóbria. O debate gira em torno de saber se Zenóbia buscava independência ou apenas manter-se como parceira de Roma em condições de poder. A sorte da rainha após 272 não é conhecida com certeza, e as versões sobre sua vida na Itália são lendárias.
Figuras envolvidas
- Aureliano — o restaurador da unidade
- Zenóbia
- Odenato
Fontes consultadas
- Zósimo, História Nova, livro I Fonte antiga
- Sítio de Palmira, bem inscrito na Lista do Patrimônio Mundial UNESCO
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