Contexto histórico
Perseu, filho de Filipe V, tentou recuperar a autonomia macedônica e foi derrotado em uma batalha decidida novamente pela quebra da coesão da falange. O rei foi levado a Roma no cortejo triunfal, e o reino de Alexandre deixou de existir como Estado. A quantidade de metais preciosos trazida permitiu suspender o tributo cobrado dos cidadãos romanos na Itália, medida que perduraria mais de um século e ilustra como a conquista financiava o Estado.
Como se desenrolou
A Terceira Guerra Macedônica começou em 171 a.C. e arrastou-se por três campanhas de resultados pobres para Roma, em que comandantes consulares mal coordenados perderam tempo e prestígio. Em 168 a.C., o Senado entregou o comando a Lúcio Emílio Paulo, já experiente e veterano de campanhas na Hispânia e na Ligúria, que reorganizou o acampamento, melhorou o abastecimento e a disciplina e contornou a forte posição de Perseu no rio Enipeu, com o auxílio da frota. Perseu recuou para a planície de Pidna, junto ao golfo Termaico, onde decidiu aceitar o combate, confiando na força de sua falange em terreno aberto.
O choque ocorreu em 22 de junho de 168 a.C., segundo a cronologia mais aceita, e Lívio e Plutarco registram que na noite anterior houvera um eclipse lunar, que o tribuno Caio Sulpício Galo explicou aos soldados romanos para evitar pânico. A falange macedônica, avançando em terreno cada vez mais irregular, perdeu continuidade, e os romanos infiltraram-se nas brechas com manípulos independentes. Segundo Plutarco, o combate foi decidido em cerca de uma hora e as perdas macedônicas passaram de vinte mil mortos, com número semelhante ao de prisioneiros em Lívio. Perseu fugiu e refugiou-se em Samotrácia, onde se rendeu a Cneu Otávio.
A organização subsequente foi minuciosa. O território macedônico foi dividido em quatro regiões, cada uma com sua capital, e foram proibidos o casamento e a propriedade de terra entre elas, assim como a exploração de minas de ouro e prata. Os tributos eram metade do antigo valor pago ao rei. Em 167 a.C., Paulo, seguindo ordens do Senado, mandou saquear cerca de setenta cidades do Épiro, e Plutarco fala de aproximadamente cento e cinquenta mil pessoas escravizadas. Na Grécia, os partidários suspeitos de simpatia por Perseu foram deportados, e Paulo celebrou um triunfo de três dias.
O que levou a isso
- Tentativa macedônica de recuperar influência sobre a Grécia
- Desconfiança romana em relação a qualquer reconstituição do poder macedônico
- Sistema de alianças gregas que pressionava por intervenção romana
O que veio depois
- Extinção da monarquia macedônica e divisão do território em quatro repúblicas
- Suspensão do imposto direto sobre cidadãos romanos na Itália
- Deportação de mil reféns gregos a Roma, entre eles o historiador Políbio
Importância histórica
Encerra a era dos grandes reinos helenísticos independentes no Egeu e evidencia o vínculo direto entre conquista externa e finanças internas de Roma.
O que dizem as fontes
O relato de Políbio sobre Pidna, parcialmente perdido, foi base para Lívio e Plutarco, e a posição de Políbio é peculiar: ele foi refém em Roma depois da guerra, conviveu com a família de Emílio Paulo e foi tutor de seu filho Cipião Emiliano. Isso garante informação de primeira mão, mas também pode ter suavizado a imagem do comandante. Os números de baixas e de escravizados no Épiro devem ser tomados como ordem de grandeza, não como contagem. A suspensão do tributum em 167 a.C. é bem atestada, mas é debatido o peso exato do espólio nessa decisão, pois a reorganização da fiscalidade tinha outras causas.
Figuras envolvidas
- Lúcio Emílio Paulo
- Perseu da Macedônia
Fontes consultadas
- Políbio, Histórias, livro XXIX Fonte antiga
- Plutarco, Vidas Paralelas: Emílio Paulo Fonte antiga
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