Contexto histórico
Uma mensagem interceptada revelou o ponto de encontro planejado entre os dois exércitos cartagineses. Um dos cônsules realizou uma marcha forçada de centenas de quilômetros para reforçar o colega sem que Aníbal percebesse a manobra. A vitória isolou Aníbal no extremo sul da península, onde permaneceria mais quatro anos sem capacidade ofensiva. A guerra passou a se decidir na Hispânia e depois na África.
Como se desenrolou
Em 207 a.C., Asdrúbal Barca, que governara a Hispânia na ausência de Aníbal, deixou a península com um exército recrutado na região e cruzou os Pireneus e os Alpes, aproveitando as rotas abertas pelo irmão e sem os mesmos obstáculos. Segundo Lívio, atravessou com maior rapidez e encontrou apoio dos gauleses. Entrou na Itália com mensageiros para avisar Aníbal, que estava no sul, do local de encontro, na Úmbria. Os mensageiros foram capturados por tropas romanas perto de Tarento, e o plano caiu nas mãos do cônsul Caio Cláudio Nero.
Nero, que enfrentava Aníbal em Canúsio, tomou uma decisão arriscada sem consultar o Senado: escolheu cerca de sete mil soldados de elite e marchou para o norte, em marcha forçada, enquanto o resto do exército fingia manter o acampamento. Os habitantes das regiões atravessadas forneceram víveres e carros. Chegou ao acampamento de seu colega Marco Lívio Salinador, perto de Sena Gália, sem alarde, e as tropas se misturaram à noite, de modo que o número de tendas não revelasse a chegada dos reforços. Asdrúbal, ao notar o reforço pelo som das trombetas, tentou recuar e acabou sem rota segura.
Na batalha às margens do Metauro, os romanos tiveram dificuldade com os elefantes, mas a decisão veio quando Nero, na ala direita, contornou o terreno e atacou o flanco inimigo. Asdrúbal, vendo a derrota, lançou-se contra os romanos e morreu lutando. Lívio fala em dezenas de milhares de mortos cartagineses, enquanto outras tradições apontam números muito menores. Nero retornou ao sul em marcha rápida e, segundo Lívio, lançou a cabeça de Asdrúbal diante do acampamento de Aníbal, que reconheceu nela o destino de Cartago, retirando-se para o Brútio, no extremo sul da península, onde ficaria acantonado até 203 a.C.
O que levou a isso
- Envio de reforços cartagineses da Hispânia para a Itália
- Interceptação romana das comunicações entre os comandantes inimigos
- Capacidade romana de concentrar forças rapidamente por estradas próprias
O que veio depois
- Eliminação do exército de reforço e morte de seu comandante
- Isolamento definitivo de Aníbal no sul da Itália
- Deslocamento do centro de gravidade da guerra para a Hispânia e a África
Importância histórica
Ponto de virada estratégico da Segunda Guerra Púnica, muitas vezes ofuscado pelas batalhas mais célebres do conflito.
O que dizem as fontes
Lívio fornece o relato mais completo, e a parte conservada de Políbio é fragmentária, de modo que várias etapas dependem de um único autor, com seu gosto por cenas dramáticas. O episódio da cabeça atirada ao campo é um exemplo típico, difícil de verificar. O local exato do combate é incerto, e a marcha de Nero, por sua distância e rapidez, tem sido considerada exagerada por alguns estudiosos. A decisão de Nero, de abandonar sua posição, foi vista pela tradição como ato de audácia, mas poderia ser lida também como risco político, o que explica a tensão com Salinador mencionada por Lívio.
Figuras envolvidas
- Asdrúbal Barca
- Caio Cláudio Nero
Fontes consultadas
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro XXVII Fonte antiga
- Políbio, Histórias, livro XI Fonte antiga
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