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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Cerco e queda de Siracusa

A mais importante cidade grega da Sicília aliou-se a Cartago e foi tomada após dois anos de cerco, no qual as máquinas projetadas por Arquimedes retardaram o avanço romano.

  • Guerra e conquista
  • República
  • Siracusa, Sicília
  • Século III a.C.
Acontecimento 36 de 144 25 % do percurso

Sobre a data: Os relatos sobre as máquinas de guerra de Arquimedes contêm exageros evidentes em algumas fontes tardias, mas sua participação na defesa é atestada por autores próximos aos fatos.

Contexto histórico

Siracusa mudou de lado após Canas, apostando na derrota romana. A defesa combinou muralhas poderosas com engenhos de arremesso e guindastes projetados pelo maior matemático da época. A cidade caiu por infiltração durante uma festa religiosa, e Arquimedes foi morto no saque, contra as ordens do comandante romano. O espólio artístico enviado a Roma foi imenso e é apontado por autores antigos como um momento decisivo na helenização do gosto romano.

Como se desenrolou

Hierão II morreu em 215 a.C. depois de cinco décadas de aliança com Roma, e seu neto Jerônimo, ainda adolescente, inclinou-se para Cartago após Canas. Foi assassinado em 214 a.C., e a cidade mergulhou em disputas entre facções. Os generais Hipócrates e Epícides, de ascendência siracusana e cartaginesa, conquistaram influência, e um massacre de familiares da dinastia selou o rompimento. Marco Cláudio Marcelo, já responsável pela Sicília, chegou em 213 a.C. e atacou Siracusa por terra e por mar, com Apio Cláudio no setor terrestre, enquanto a frota atacava as muralhas voltadas ao mar, em Acradina.

A cidade era enorme, com muralhas longas e o complexo de fortificações das Epípolas. Segundo Políbio, que descreve o cerco, Marcelo montou nas quinquerremes aparelhos chamados sambucae, escadas elevadas sobre pares de navios. Arquimedes, porém, havia preparado catapultas de alcance variável, guindastes que levantavam navios e os soltavam, e sistemas que obrigaram os romanos a manter distância. Marcelo, segundo Plutarco, passou a brincar com a situação, dizendo que lutava contra um Briareu geométrico, e os soldados, diz Lívio, fugiam à simples visão de uma corda ou de uma viga sobre o muro. O bloqueio, assim, transformou-se em cerco prolongado.

A mudança veio no verão de 212 a.C. Os romanos souberam que os siracusanos celebravam uma festa de Ártemis, com bebida em abundância, e escalaram as muralhas num trecho menos vigiado. Controlaram as Epípolas e a cidade baixa, enquanto a ilha de Ortígia e o porto resistiram por mais tempo. Uma expedição cartaginesa de socorro foi atingida por uma epidemia. Marcelo tomou a cidade, permitiu o saque de bens, mas, segundo Lívio, ordenou preservar a vida dos habitantes livres. Levou a Roma estátuas e pinturas, e depois recebeu uma ovação, não um triunfo pleno.

O que levou a isso

  • Mudança de aliança de Siracusa após a derrota romana em Canas
  • Importância estratégica da Sicília para o abastecimento de grãos
  • Necessidade romana de eliminar bases de apoio a Cartago

O que veio depois

  • Retomada do controle romano sobre toda a Sicília
  • Morte de Arquimedes durante o saque da cidade
  • Chegada maciça de obras de arte gregas a Roma e aceleração da influência helênica

Importância histórica

Combina consequências militares e culturais: garante a Sicília e acelera a incorporação do repertório grego pela elite romana.

O que dizem as fontes

Políbio, Lívio e Plutarco narram o cerco, com Políbio mais próximo da tradição técnica e Plutarco mais biográfico. A famosa história dos espelhos ardentes de Arquimedes só aparece em autores tardios e é considerada, por muitos estudiosos, lendária. A morte do matemático tem três versões em Plutarco e Lívio, que divergem sobre as circunstâncias. Há debate sobre o impacto cultural do saque, pois Lívio relata a crítica de Catão e de outros às novidades gregas, o que sugere que a tese da helenização súbita simplifica um processo anterior, que já vinha dos contatos com o sul da Itália.

Figuras envolvidas

  • Marco Cláudio Marcelo
  • Arquimedes

Fontes consultadas

  1. Plutarco, Vidas Paralelas: Marcelo Fonte antiga
  2. Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livros XXIV–XXV Fonte antiga

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