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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Concílio de Constantinopla

O segundo concílio geral ampliou a profissão de fé formulada em Niceia e reconheceu à sé da nova capital uma posição de honra logo abaixo da de Roma.

Acontecimento 116 de 144 81 % do percurso

Contexto histórico

A assembleia consolidou a linha doutrinária adotada pelo Estado e encerrou décadas de disputas que haviam envolvido imperadores, bispos e comunidades inteiras. A decisão sobre a precedência da sé de Constantinopla também teve consequências institucionais duradouras, ao criar tensões com Roma que se aprofundariam ao longo dos séculos e contribuiriam para a separação entre as igrejas do Oriente e do Ocidente.

Como se desenrolou

O concílio foi convocado por Teodósio para a primavera de 381 e reuniu cerca de cento e cinquenta bispos, todos do Oriente. Não houve delegação de Roma, e o Egito chegou depois. O primeiro presidente foi Melécio de Antioquia, líder de uma das facções locais; ele morreu durante os trabalhos, o que reabriu o problema da sucessão antioquena. Gregório de Nazianzo, que havia sido instalado como bispo de Constantinopla, assumiu a presidência, mas enfrentou contestação sobre a validade de sua transferência de sé. Renunciou em meio ao conflito, e o concílio escolheu para o lugar Nectário, um alto funcionário ainda não batizado.

No campo doutrinário, os bispos reafirmaram a fé de Niceia e condenaram diferentes correntes, como os arianos mais extremados, os seguidores de Apolinário de Laodiceia e os macedonianos, que negavam a divindade do Espírito Santo. Um grupo de bispos de tendência macedoniana, convidado a aderir, retirou-se. Os cânones reorganizaram a jurisdição das sés, proibindo bispos de intervir em dioceses alheias, e o terceiro cânone estabeleceu que o bispo de Constantinopla teria a honra de precedência depois do de Roma, porque a cidade era a nova Roma. A fórmula tinha caráter honorífico, mas abria espaço para disputas futuras.

O concílio não era à época considerado ecumênico no sentido posterior. Seu reconhecimento como segundo concílio geral foi progressivo, e o credo hoje chamado de niceno-constantinopolitano só foi atribuído com clareza a ele no Concílio de Calcedônia, em 451. O Ocidente demorou a aceitar o cânone sobre a precedência, e Roma só o reconheceu muito mais tarde, de forma restrita. Em 382, os bispos reunidos novamente em Constantinopla escreveram a um sínodo ocidental, e nesse intercâmbio apareceram as diferenças de linguagem entre as duas partes do império. Teodósio, por lei, confirmou as decisões e garantiu a execução.

O que levou a isso

  • Necessidade de encerrar disputas doutrinárias remanescentes
  • Alinhamento do concílio à política religiosa oficial do império
  • Crescimento institucional da sé da capital oriental

O que veio depois

  • Versão ampliada da profissão de fé, usada até hoje em muitas igrejas
  • Reconhecimento de precedência honorífica à sé de Constantinopla
  • Tensão institucional crescente entre as sés de Roma e do Oriente

Importância histórica

Fecha o ciclo doutrinário aberto em Niceia e estabelece relações institucionais que moldariam o cristianismo por séculos.

O que dizem as fontes

As atas do concílio de 381 não chegaram até nós, e o que se sabe vem dos cânones, de uma carta sinodal do ano seguinte e de relatos posteriores, como os de Sócrates e Sozomeno, além do testemunho pessoal de Gregório de Nazianzo em seu poema autobiográfico. Por isso, debate-se se o credo que leva o nome do concílio foi redigido naquela reunião ou se já circulava antes, e como se chegou à sua atribuição. Também se discute o peso real do terceiro cânone, que nem todos os autores entendem como reivindicação de primazia. Os números de participantes e a ordem dos acontecimentos permanecem incertos em vários detalhes.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. Sócrates Escolástico, História Eclesiástica Fonte antiga
  2. The Oxford Dictionary of Late Antiquity Oxford University Press

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