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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Perda da Síria, do Egito e do norte da África

Exaurido pela guerra contra os persas, o império perdeu em poucas décadas suas províncias mais ricas para as forças do califado, reduzindo-se à Anatólia, aos Bálcãs e a enclaves ocidentais.

  • Guerra e conquista
  • Oriente e legado
  • Síria, Egito e norte da África
  • Século VII d.C.
Acontecimento 139 de 144 97 % do percurso

Sobre a data: As datas de cada província variam: a batalha do Yarmuk ocorreu em 636, a rendição de Alexandria por volta de 641 e a queda de Cartago em 698.

Contexto histórico

A perda foi econômica antes de ser apenas territorial: Síria e Egito respondiam por parte substancial das receitas e do abastecimento de grãos. O Estado remanescente reorganizou-se em torno da Anatólia, com um novo sistema de circunscrições militares e uma economia menos monetizada. O Mediterrâneo, que fora um mar interno romano por sete séculos, deixou de ser um espaço político unificado.

Como se desenrolou

As forças árabes surgiram na Síria e na Palestina logo depois da morte de Maomé, em 632, e as primeiras vitórias sobre os romanos ocorreram em 634. Damasco rendeu-se em 635 e, em agosto de 636, o exército imperial foi derrotado no vale do rio Yarmuk, em uma batalha que as fontes descrevem com tamanhos de exércitos pouco confiáveis. Jerusalém capitulou por volta de 637 ou 638, seguida de Antioquia e Cesareia. O imperador Heráclio, já idoso, retirou-se para Constantinopla, e a Verdadeira Cruz foi levada para a capital. A Síria foi perdida de forma definitiva, em parte por meio de acordos locais de rendição que preservavam propriedades e culto em troca de tributo.

No Egito, o general Amr ibn al-As entrou em 639 ou 640 e derrotou forças imperiais em Heliópolis, em 640. A fortaleza de Babilônia, junto à atual Cairo, rendeu-se em 641, e Alexandria capitulou em 641 ou 642, depois de negociações conduzidas pelo patriarca Ciro, que também era governador. O trigo egípcio deixou de abastecer Constantinopla, e a capital precisou ser alimentada com grãos de outras origens. A conquista árabe do Egito foi facilitada por uma divisão religiosa antiga entre calcedonianos e coptas monofisitas, embora o grau em que a população recebeu os árabes com alívio seja controverso.

Na África, as incursões começaram em meados do século VII, mas a conquista foi lenta e interrompida por guerras civis entre muçulmanos. A fundação de Cairuão, por Uqba ibn Nafi por volta de 670, deu uma base permanente. Cartago, sede do exarcado, foi tomada em 698 por Hassan ibn al-Nu’man, após uma ofensiva final em que a esquadra imperial teria sido repelida, e a região passou a ser dominada por árabes e berberes. Em outros pontos, os árabes atacaram o próprio coração do Estado: Constantinopla foi cercada por mar em um primeiro cerco entre 674 e 678, segundo a tradição, e em outro entre 717 e 718, ambos sem êxito, graças às muralhas e ao uso do fogo grego.

O que levou a isso

  • Esgotamento militar e financeiro após a longa guerra contra os sassânidas
  • Rápida expansão militar do califado recém-formado
  • Descontentamento de populações provinciais com a administração imperial

O que veio depois

  • Perda das províncias mais ricas e populosas do império
  • Reorganização militar em circunscrições defensivas na Anatólia
  • Fim da unidade política do Mediterrâneo

Importância histórica

Redefine a geografia política e cultural do Mediterrâneo e reduz o Estado romano a uma potência regional.

O que dizem as fontes

As fontes cristãs, como Teófanes (tardio), João de Nikiu para o Egito e Sebeos para a Armênia, foram escritas sob impressão do choque, e as fontes árabes, como al-Baladhuri, são posteriores em dois séculos ou mais, de modo que a cronologia detalhada é incerta. Walter Kaegi, em Byzantium and the Early Islamic Conquests, mostrou que a explicação por exaustão militar e por fraqueza organizacional é mais convincente do que a de uma revolta geral dos provincianos. O debate continua sobre o papel das divisões religiosas, o tamanho real dos exércitos e a velocidade das conversões. Datas como a de Alexandria e a de Cartago variam um ou dois anos conforme a tradição.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. Teófanes, o Confessor, Cronografia Fonte antiga
  2. The Oxford Dictionary of Byzantium Oxford University Press

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