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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Campanhas de reconquista de Justiniano

O Império do Oriente reconquistou a África vândala, a Itália ostrogoda e parte do sul hispânico, restaurando temporariamente o controle romano sobre boa parte do Mediterrâneo.

  • Guerra e conquista
  • Oriente e legado
  • Norte da África, Itália e sul da Hispânia
  • Século VI d.C.
Acontecimento 135 de 144 94 % do percurso

Contexto histórico

A campanha africana foi rápida; a italiana durou quase vinte anos e devastou a península, arruinando cidades, reduzindo a população e desorganizando a agricultura. O custo militar e financeiro esgotou o Estado no exato momento em que uma epidemia devastadora e novas pressões fronteiriças surgiam. As conquistas provaram-se, em grande medida, insustentáveis: em poucas décadas, a maior parte da Itália seria perdida.

Como se desenrolou

A primeira campanha foi a africana. Belisário zarpou em 533 com uma força modesta, estimada por Procópio em cerca de dezoito mil homens entre soldados e marinheiros, e desembarcou perto de Caput Vada, longe de Cartago. A vitória de Ad Decimum, em setembro, abriu as portas da capital vândala, e a de Tricamarum, em dezembro, desfez o exército de Gelimer, que se rendeu em 534. O rei foi levado a Constantinopla, onde Belisário celebrou um triunfo, honra rara para um general fora da família imperial. Nos anos seguintes, porém, revoltas de soldados e ataques de tribos mouras exigiram novas expedições e prolongaram a pacificação da região.

Na Itália, a guerra começou em 535 com a ocupação da Sicília, seguida pela tomada de Nápoles e de Roma em 536. Os ostrogodos, sob Vitige, sitiaram Roma entre 537 e 538, e Belisário resistiu até a retirada do inimigo. Ravena se rendeu em 540, mas a paz não veio: Totila, eleito rei em 541, reconquistou a maior parte da península, e Roma mudou de mãos várias vezes. O general Narses chegou em 552 com reforços, derrotou Totila em Busta Gallorum, onde o rei morreu, e venceu Teia no Monte Lactário. Os últimos focos de resistência foram eliminados em 553 e 554, quando a Pragmática Sanção reorganizou a administração italiana.

Na península Ibérica, a intervenção ocorreu a partir de 552, quando o imperador atendeu ao pedido do nobre visigodo Atanagildo, em disputa pelo trono contra Ágila. Tropas imperiais ocuparam Cartagena e uma faixa do sudeste, que ficou conhecida como província de Spania. Os bizantinos controlaram esse território por cerca de setenta anos, até serem expulsos pelos visigodos por volta de 625. Na prática, a reconquista dependeu de exércitos pequenos, muitas vezes compostos por mercenários, de apoio naval constante e da colaboração de elites locais. O contraste entre a rapidez africana e a lentidão italiana reflete as condições locais: Itália tinha cidades fortificadas e um adversário em casa.

O que levou a isso

  • Projeto imperial de restaurar o domínio romano sobre o Mediterrâneo
  • Fragilidades internas dos reinos vândalo e ostrogodo
  • Disponibilidade inicial de recursos e de comandantes militares capazes

O que veio depois

  • Recuperação temporária da África, da Itália e de parte da Hispânia
  • Devastação econômica e demográfica prolongada da Itália
  • Esgotamento financeiro e militar do Estado oriental

Importância histórica

Última tentativa séria de reunificar o mundo romano, cujo custo comprometeu a capacidade do Oriente de enfrentar as crises seguintes.

O que dizem as fontes

Procópio, que acompanhou Belisário como secretário, é a fonte central das guerras, mas também escreveu a História Secreta, hostil ao imperador e ao general, o que obriga a ler suas obras com cautela. Agátias continua o relato até 559. Os números de tropas são aproximados e frequentemente discutidos. Há debate sobre o grau de devastação da Itália: textos antigos descrevem ruína generalizada, enquanto a arqueologia aponta declínio urbano já anterior e variações regionais. Também se discute se a política de Justiniano foi realista ou uma ambição desmedida que ignorou as ameaças persas e danubianas, tema em que a avaliação de Averil Cameron e de outros historiadores é mais matizada do que a velha tese do desastre.

Figuras envolvidas

  • Justiniano I — o codificador do direito romano
  • Belisário
  • Narses

Fontes consultadas

  1. Procópio de Cesareia, Guerra Vandálica e Guerra Gótica Fonte antiga
  2. Averil Cameron, The Later Roman Empire Fontana Press

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