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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Reunificação do império por Aureliano

Em pouco mais de dois anos, Aureliano derrotou Palmira, reintegrou as províncias ocidentais e restaurou a unidade territorial do império, feito que lhe valeu o título de restaurador do mundo.

  • Política e governo
  • Baixo Império
  • Oriente, Gália e Roma
  • Século III d.C.
Acontecimento 103 de 144 72 % do percurso

Contexto histórico

A reunificação combinou campanhas rápidas com negociação: as províncias ocidentais foram reincorporadas com relativa facilidade, e antigos governantes rivais receberam tratamento clemente. Aureliano também tentou estabilizar a moeda, reorganizou a distribuição de alimentos na capital e promoveu o culto do Sol Invencível como elemento unificador. Foi assassinado em 275 por oficiais próximos, mas seu trabalho tornou possível a reforma estrutural conduzida uma década depois.

Como se desenrolou

Aureliano foi aclamado em 270, em Sírmio, depois da morte de Cláudio II por peste e de um breve reinado de seu irmão Quintilo. Antes de enfrentar os rivais, precisou lidar com invasores: jutungos, vândalos e outros povos que atravessaram o Danúbio e chegaram à Itália. Por volta de 271, decidiu abandonar a Dácia transdanubiana, retirando tropas e administradores para a margem sul do rio e criando uma província de mesmo nome na Mésia. A escolha, vista como pragmática, reduziu a frente a defender. Depois voltou-se para o Oriente, onde a campanha de 272 levou à queda de Palmira, e mais tarde ao Ocidente, onde derrotou Tétrico em 274.

A reintegração teve elementos de propaganda cuidadosa. Aureliano assumiu o título de restitutor orbis, restaurador do mundo, e celebrou um triunfo em Roma, em 274, no qual, segundo a Historia Augusta, apareceram Zenóbia e Tétrico, relato que se aceita com cautela. Dedicou ao Sol Invencível um grande templo na capital, com colégio de sacerdotes de nível senatorial, e fez do deus uma figura central nas moedas. Essa devoção não eliminou os cultos tradicionais, mas deu ao governo uma divindade protetora que podia ser aceita em regiões diversas. A tradição também lhe atribui o tratamento de dominus et deus em inscrições, mas isso deve ser lido com cuidado, pois é abreviação.

Em Roma, Aureliano enfrentou os problemas de sua administração. Em 274 ou pouco antes, tentou reformar a moeda, aumentando o teor de prata do antoniniano e marcando com um sinal numérico, XXI ou KA, o valor de cada peça. A reforma provocou resistência dos funcionários da casa da moeda, que, segundo a tradição, se revoltaram e foram esmagados em combate, com milhares de mortos. Ele também ampliou a distribuição de alimentos, incluindo carne de porco e vinho, segundo a Historia Augusta. Foi assassinado em 275, na Trácia, quando se preparava para uma campanha contra os persas, por oficiais enganados por uma lista falsa de condenados supostamente elaborada pelo secretário Eros.

O que levou a isso

  • Capacidade militar excepcional e mobilidade das forças imperiais reorganizadas
  • Fragilidade interna dos poderes regionais formados durante a crise
  • Necessidade urgente de restabelecer o abastecimento e as receitas do centro

O que veio depois

  • Restauração da unidade territorial do império
  • Tentativa de reforma monetária e reorganização do abastecimento
  • Base política e militar para as reformas de Diocleciano

Importância histórica

Impede a desintegração definitiva do império e cria as condições para a recuperação do fim do século III.

O que dizem as fontes

A reunificação é narrada por fontes tardias e de qualidade desigual. Zósimo fornece um esqueleto cronológico razoável; Aurélio Víctor e a Epítome dos Césares são breves; a Historia Augusta oferece muito material pitoresco, como a lista de alimentos distribuídos e os detalhes do triunfo, que os historiadores consideram suspeitos. A numismática é mais segura: mostra as legendas oficiais, o culto do Sol e a tentativa de reforma monetária. Debate-se a extensão da revolta dos monetários, a causa real do assassinato e o alcance da reforma. Discute-se também se a retirada da Dácia foi um abandono planejado, como sustentam as fontes tardias, ou uma consequência de derrotas anteriores. Os números de mortos e de tropas empregadas são pouco confiáveis.

Figuras envolvidas

  • Aureliano — o restaurador da unidade
  • Zenóbia
  • Tétrico I

Fontes consultadas

  1. Zósimo, História Nova, livro I Fonte antiga
  2. David S. Potter, The Roman Empire at Bay, AD 180–395 Routledge

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