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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Saque de Constantinopla na Quarta Cruzada

Desviada de seu destino original, uma expedição cruzada tomou e saqueou a capital romana do Oriente, fragmentando o império em Estados rivais e provocando dano irreversível.

Acontecimento 142 de 144 99 % do percurso

Contexto histórico

A cidade nunca havia sido tomada por assalto em quase novecentos anos. O saque destruiu bibliotecas, dispersou obras de arte antigas e desmantelou a estrutura administrativa. Um regime latino foi instalado, e territórios romanos formaram governos separados no exílio. Constantinopla foi retomada em 1261, mas o Estado restaurado era uma sombra do anterior, sem recursos para reverter o declínio.

Como se desenrolou

A Quarta Cruzada foi pregada pelo papa Inocêncio III em 1198 e tinha como alvo o Egito. Os chefes cruzados contrataram em 1201 a república de Veneza, governada pelo idoso doge Enrico Dandolo, para fornecer navios e provisões, e o preço combinado foi de 85 mil marcos de prata. Como compareceu menos gente do que o previsto, os cruzados não conseguiram pagar a soma. Veneza propôs que, em troca de adiamento, ajudassem a retomar a cidade dálmata de Zara, tomada em novembro de 1202. Tratava-se de uma cidade cristã, e o papa excomungou os envolvidos, embora depois tenha absolvido a maior parte.

Em Zara, chegou a proposta de Aleixo Ângelo, filho do imperador deposto Isaac II, que prometia dinheiro, tropas e a submissão da Igreja grega a Roma em troca da restauração da família. A frota chegou diante de Constantinopla em junho de 1203. Aleixo III fugiu, Isaac II foi recolocado no trono ao lado do filho, Aleixo IV, mas este não pôde cumprir as promessas financeiras. Um incêndio durante os combates destruiu bairros inteiros. Em janeiro de 1204, uma revolta popular depôs os dois, e o novo imperador, Aleixo V Murtzuflo, recusou-se a pagar. Cruzados e venezianos assinaram em março um tratado que previa a partilha do império, com eleição de um imperador latino.

O assalto decisivo ocorreu em 12 de abril de 1204, pelo lado do Chifre de Ouro, com escadas lançadas das torres dos navios. Os defensores cederam, e a cidade foi entregue por três dias à pilhagem. Igrejas, palácios e mosteiros foram despojados, relíquias foram levadas, e as quatro estátuas de cavalos de bronze do Hipódromo acabaram em Veneza, na basílica de São Marcos. Balduíno de Flandres foi eleito imperador em maio, e Veneza ficou com três oitavos da cidade e com ilhas e portos estratégicos. Entre os sucessores gregos surgiram os Estados de Niceia, do Épiro e de Trebizonda, e Miguel VIII Paleólogo, de Niceia, retomou a capital em 1261.

O que levou a isso

  • Endividamento da expedição cruzada com a república de Veneza
  • Disputa dinástica interna que atraiu os cruzados à cidade
  • Interesses comerciais venezianos no controle das rotas orientais

O que veio depois

  • Saque devastador e perda irreparável de acervos e obras de arte
  • Fragmentação do império em Estados rivais durante décadas
  • Enfraquecimento permanente do Estado romano oriental

Importância histórica

Golpe do qual o Império do Oriente jamais se recuperou, decisivo para sua queda dois séculos e meio depois.

O que dizem as fontes

Nicetas Coniates, testemunha do saque, descreve a violência com indignação, enquanto os cronistas cruzados Godofredo de Villehardouin e Robert de Clari apresentam o episódio sob outra luz, a de uma conquista justificada. O debate mais conhecido é se o desvio foi planejado desde o início, por Veneza ou por chefes cruzados, ou se resultou de circunstâncias financeiras e políticas imprevistas; a obra de Donald Queller e Thomas Madden examina essa questão, sustentando a segunda interpretação. As cifras de mortos e a extensão do que foi destruído são incertas, e parte da perda cultural talvez tenha ocorrido nos incêndios de 1203. O saque, em todo caso, abalou de modo duradouro as relações entre cristãos latinos e gregos.

Figuras envolvidas

  • Henrique Dândolo
  • Aleixo IV

Fontes consultadas

  1. Nicetas Coniates, História Fonte antiga
  2. The Oxford Dictionary of Byzantium Oxford University Press

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